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terça-feira, 5 de abril de 2011

A formação do ser

A FORMAÇÃO DO SER


Cleber de Souza



RESUMO

Até o fim do século XX, não se preocupava muito com a formação do “ser” pessoa. Formava-se de acordo com a precisão da indústria, da sociedade, do meio. E só no final do século XX é que começou a se preocupar com este ser em formação. Notou-se que com as revoluções e mudanças no meio em que se vive, o homem também deveria mudar. A escola precisava mudar, repensar a formação do ser, dar importância à autonomia, criticidade, autenticidade e deixar de lado a formação passiva e estereotipada, onde todos são formados iguais, esquecendo-se que cada ser humano é um ser único, e tem sua personalidade formada através de suas experiências pessoais e em grupo.


Palavras-chave: Ser; Formação; Reflexão.


1. INTRODUÇÃO


Antes de sermos professores, operários, motoristas, advogados, jogadores, etc, somos pessoas. Pessoas estas, que precisam aprender a “ser”. Ser um homem ou uma mulher autêntico, autônomo, crítico, podendo assim, escolher e agir com liberdade.

Vivemos num mundo onde todos estão com pressa, preocupados em ganhar, ter, ter e ter. Esquece-se do que mais enobrece o homem,“o ser”. É por este motivo que precisa-se “aprender a ser”. A escola, juntamente com a família e a sociedade, tem grande responsabilidade na formação do ser. Sabe-se que há muitos anos a educação estava em crise e foram muitos os métodos utilizados até descobrir-se que o que estava em crise eram os valores, a formação do ser pessoa. Porém, nota-se que ainda há uma trégua nesta formação. Muito se fala, se escreve, se reflete, mas pouco se age. “Entenda que somos criadores e vítimas do sistema social que valoriza o ter e não o ser, a estética e não o conteúdo, o consumo e não as idéias. No que depender de nós, devemos dar nossa parcela de contribuição para gerar uma humanidade mais saudável.” (CURY, 2003, p.65).




2. APRENDENDO E FORMANDO O SER

Até o século XX, a formação do ser acontecia de acordo com a sociedade, a época, valores. Cada sociedade tinha um ideal de homem a ser formado. “(...) a meta era a formação do homem moralmente íntegro e do cristão temente a Deus; por ocasião da revolução comercial e, posteriormente, industrial,(...) propunha-se formar o burguês dotado de iniciativa e senso comercial. E assim foi ao longo dos séculos (...)” (HAYDT, 1997, p.25).

Já no final do século XX preocupava-se com que “ser” pretendia-se formar, pois a educação estava sendo reformulada e para tanto, precisava-se questionar, refletir, para que tudo não fosse em vão.
“(...) que ideal de homem nossa escola pretende formar? Esta é a questão fundamental, para a qual precisamos encontrar uma resposta, pois, de outra forma, será infrutífera toda reforma educacional. (...) o que está sendo questionado não é o como educar, mas o para que educar. Em outras palavras, o que está em jogo é o próprio sentido da educação.” ( HAYDT, 1997, p.25).

O professor acaba tendo o papel de “aprender a ser” e conseqüentemente a “formar o ser”. Muitas vezes, é através de suas atitudes, de sua maneira de agir e ver o mundo que influenciarão na formação de cada ser humano. O professor tem sua personalidade orientada por valores e princípios de vida e veicula esses valores em sala de aula, manifestando-os a seus alunos. Assim, ao interagir com cada aluno, ele não apenas transmite conhecimentos, em forma de informações, conceitos e idéias, mas também facilita a veiculação de ideais, valores e princípios de vida, ajudando a formar a personalidade do educando. O professor deve ter bem claro, que antes de ser um professor, ele é um “educador”. “Bons professores são didáticos, professores fascinantes vão além. Possuem sensibilidade para falar ao coração dos seus alunos” (CURY, 2003, p.64).
“ Bons professores ensinam seus alunos a explorar o mundo em que estão, do imenso espaço ao pequeno átomo. Professores fascinantes ensinam os alunos a explorar o mundo que são, o seu próprio ser.” (CURY, 2003, p.66).

No mundo em que vivemos, onde à competição, conflitos, onde a vida torna-se ameaçada, onde à valores contraditórios, precisa-se ou melhor, deve-se dar importância à imaginação, à criatividade, à cultura, ao senso crítico. “ Na escola, a arte e a poesia deveriam ocupar um lugar mais importante do que aquele que lhes é concedido” (WEIDUSCHAT, 2007, p.46).

Portanto, precisa-se pensar, refletir sobre que seres humanos pretende-se formar. Cabe a nós educadores, a cada dia, a cada aula, refletir sobre a formação do “ser” em questão. Quer-se formar estereótipos ou indivíduos críticos, autônomos, independentes?
“(...) a educação deve contribuir para o desenvolvimento total da pessoa, espírito e corpo, inteligência, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal, espiritualidade. Todos os seres humanos devem ser preparados pela educação que recebe, para agir nas diferentes circunstâncias da vida. Para isso cada um deverá ter pensamentos autônomos e críticos, ou seja personalidade própria.” (VANESSA, 2007)
4. CONCLUSÃO

Percebe-se que há uma preocupação muito grande em criar objetivos, reformular conteúdos, criar novas técnicas. Muda-se de técnicas, métodos, como se muda de roupa, virando um modismo. Agora a moda é isto, no próximo ano a moda muda e conseqüentemente, muda-se o método. Esquece-se do “ser”, da liberdade de pensamento, imaginação. Transforma-se o ser humano num estereótipo passivo, sem criatividade, criticidade, autonomia, independência, sem personalidade própria.
É hora de reflexão. Precisa-se, antes de entrar na sala de aula, definir que ideal de ser humano pretende-se formar: aquele que vive para ganhar e levar vantagem em tudo ou aquele que sente, vê e ouve o mundo que o rodeia, cujo lema é “SER”?

5. REFERÊNCIAS


CURY, Augusto. Pais brilhantes Professores fascinantes. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.

WEIDUSCHAT, Íris. Didática e Avaliação. Caderno de Estudos NEAD. Indaial, 2007.

HAYDT, Regina Célia Cazaux. Curso de Didática Geral. 3. ed. São Paulo: Ática, 1997.

VANESSA, Sandra R. Os quatro pilares da educação. Disponível em: < http://www.brazcubas.br/professores/sdamy/mubc20.html >. Acesso em: 14 fev. 2007.


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