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segunda-feira, 25 de abril de 2011

OBESIDADE INFANTIL

OBESIDADE INFANTIL


Cleber de Souza



RESUMO

O que é obesidade? Quando ela começa existir? Devemos nos preocupar? Como prevenir? Esses questionamentos nos levam a refletir qual a importância de se ter uma vida saudável. Em nossas crianças que se tem como o futuro do amanhã, que futuro será esse? Levantando esses argumentos analisamos quais são as causas e possíveis soluções para um problema de nível mundial: A obesidade Infantil. Quando uma criança nasce e temos um bebe gordinho, todo mundo diz: “que fofinho”, “que gostosinho”. Mas até onde esse “fofinho” é considerável saudável. Sabe-se que a criança precisa de gordura, de energia para se desenvolver. Porém quando se tem um acréscimo de gordura maior do que o necessário e a criança começa a ganhar peso temos um problema muito maior em nossas mãos. A falta de hábitos alimentares equilibrados aliados a diversos outros fatores é o complemento necessário para uma possível aquisição futura de uma doença relacionada a um único inimigo: a obesidade.



Palavras-chave: Obesidade, Criança, Educação.


1. INTRODUÇÃO


Antigamente se dizia que uma criança gordinha era síndrome de saúde. De certa forma tinha certo fundo de verdade ou pelo menos se pensava. Em uma época em que não se existiam antibióticos a criança mais nutrida resistia mais à processos infecciosos, porém, pode-se dizer que nem sempre uma criança obesa é uma criança com sistema imunológico saudável pelo fato de muitas vezes ser uma criança que só come alimentos energéticos e não tem uma dieta balanceada. Sabemos que nosso corpo necessita de três tipos de alimentos: os reguladores, os energéticos e os construtores. Todos esses são de extrema importância para nosso organismo e sua ingestão garantem o perfeito funcionamento de nosso corpo. Porém existem alimentos que servem como combustível para nós e eles estão classificados como energéticos. Eles são alimentos de fácil ingestão e queima em nosso organismo. Podemos exemplificar esses alimentos citando alguns deles que são os cereais, pão, farinha, batata, macarrão, etc. Esses alimentos quando ingeridos nos fornece calorias e a não queima dessas calorias, ou o recebimento destas calorias em excesso é um dos principais fatores que pode levar a obesidade. Porém não é somente este o fato e a causa que leva a pessoa à obesidade. Temos desde fatores genéticos, psicológicos, sociais, a falta de conhecimento, cultura familiar, dentre outros tantos que podemos citar.        

2. A OBESIDADE

            A obesidade é considerada hoje uma das piores aquisições da humanidade. Ela acontece como resultado de ingestão de calorias em excesso, ou seja, a ingestão de energia mais que necessária. Segundo o Consenso Latino Americano em Obesidade, a obesidade é uma enfermidade crônica que se acompanha de múltiplas complicações, caracterizada pela acumulação excessiva de gordura em uma magnitude tal que compromete a saúde. Entre as complicações mais comuns está a diabete mellitus, a hipertensão arterial, as dislipidemias, as alterações osteomusculares e o incremento da incidência de alguns tipos de carcinoma e dos índices de mortalidade. É um problema mundial e que vem aumentando significativamente a cada ano. Acredita-se que com o fim da situação de pobreza, ou a morte por fome (miséria), um dos males que vem crescendo é realmente o número de pessoas que antes dos 40 anos morrem por doenças causadas pelo excesso de gordura no corpo. Um problema que pode e deve ser prevenido desde a infância.


3. FATORES QUE INFLUENCIAM A OBESIDADE



Pode-se afirmar que tão preocupante quanto à obesidade em pessoas adultas é a obesidade infantil. Acredita-se que só no Brasil para cada 10 crianças 1 é obesa, ou seja, 10% das nossas crianças hoje em nosso país sofrem de obesidade. É um fato preocupante e alarmante, pois se estima que essas crianças quando adultas cedo, antes dos 40 anos, teriam sérias chances de sofrem males causados por doenças relativas ao excesso de peso e gordura corporal. Para entender como acontece a obesidade desde a infância muitos estudos revelam que desde a gestação a criança pode ter esse problema. Não podemos deixar de lado o fator genético. Lembramos que alguns milhões de anos atrás nossos ancestrais sobreviveram por terem genes capazes de estocar calorias que eram queimadas quando necessárias. Os que não tinham provavelmente morreram e não tiveram descendentes. Isso quer dizer que a grande maioria dos sobreviventes tem genes que favorecem o aparecimento da obesidade. Se o ambiente for favorável, ela irá manifestar-se.
Qual é o ambiente saudável para o bebê? É a mãe. Engordar muito durante a gestação, favorece o desenvolvimento de tecido adiposo, de gordura, no primeiro ano de vida da criança. Uma mãe que tem uma gestação com uma alimentação deficiente também favorece a ter uma criança com obesidade. Na realidade a criança precisa ter certa quantidade de gordura elevada. “A criança nasce com mais ou menos 17% de gordura no corpo. No final do primeiro ano de vida, esse índice sobe para 35% e o peso da criança triplica. A gordura que estocou nesse período vai ajudá-la a viver no ano seguinte, quando começa a andar e a brincar e garante a energia necessária para os anos subseqüentes.” (VARELA, 2007).

A criança não para quieta e precisa ser fortinha por assim dizer, mas os pais devem ficar atentos quando uma criança se difere muito em peso quanto a outras crianças de mesma idade.
Analisando a questão o que faz uma criança engordar, algumas estatísticas mostram que o responsável pela obesidade infantil é de 25% atribuído ao fator genético, 30% a transmissão cultural e 45% a outros fatores ambientais não transmissíveis. Essas estatísticas são do Consenso Latino Americano de Obesidade e nos leva a refletir que o que define uma criança ser obesa não é o fator genético e sim uma falta de educação e equilíbrio social e familiar.


4. ACOMPANHAMENTO ALIMENTAR NA INFÂNCIA



Pode-se afirmar que uma cultura errada existe na atualidade. Muito se fala em amamentação, mas muito pouco ainda vem sendo feito. O fato da criança até os seis meses de idade só precisar do leite materno é mais do que comprovado. Levando o tema alimentação infantil para o dia dia temos mamadeiras adocicadas, engrossadas com farinha e feitas com leite de vaca, leite esse que contem gordura em excesso. Crianças sedentárias que ficam muito tempo na frente da televisão também é um problema, pois neste não se da a queima das calorias obtidas em sua alimentação.

“Trabalhos que constam da literatura e uma avaliação feita no Hospital das Clínicas mostram que mais de quatro horas de TV por dia estão associadas à obesidade das crianças. Chegamos a esse dado no ambulatório do HC, avaliando 240 crianças por seis meses mensalmente e depois a cada seis meses ou com freqüência maior conforme a necessidade.Nesse programa de acompanhamento, verificamos que certas crianças passam dez horas por dia assistindo à televisão, mais algumas horas dormindo e outras sentadas na escola. Isso nos permite concluir que o aumento da obesidade nos dias atuais não se deve aos genes, pois não houve tempo para eles se modificarem nos últimos quarenta anos. Na verdade, nossa propensão genética para a obesidade encontrou ambiente favorável nos erros alimentares associados ao sedentarismo da vida moderna.” (VILLARES, 2007).

Segundo Sandra Villares, médica coordenadora do hospital das clínicas de obesidade de São Paulo em entrevista no site de Dr. Drauzio Varela, os motivos para as crianças ganharem peso em excesso são muitos. Nos da um exemplo bem típico de qualquer família onde diz que a criança tem a sensação de fome e saciedade. Ela sabe quando deve começar a comer porque está com fome e quando parar porque está saciada. Entretanto, por excesso de amor, por achar que dando comida está dando carinho, a mãe resolve que a criança não pode deixar nada no prato. Ela não entende que, às vezes, a pequena quantidade que o filho comeu é suficiente para saciá-lo.
O que queremos dizer com saciedade? Quando o indivíduo começa a alimentar-se, sente extremo prazer no sabor da comida, mas esse prazer vai diminuindo à medida que se sente satisfeito. Às vezes, isso acontece com quatro colheres de arroz; às vezes, com duas. Varia tanto no adulto quanto na criança, mas a mãe quer que coma as quatro colheres, não a deixa sair da mesa enquanto não limpar o prato e não registra sua indicação de que está satisfeita. Duas horas mais tarde, aparece com um copo de leite ou alguma coisa para comer mesmo que a criança não esteja com fome.
Isso está errado. A criança deve comer quando está com vontade. Não é necessário impor horários rígidos. Ela possui o relógio biológico da fome e da saciedade que acaba se perdendo porque não é levado em consideração, e a criança não sabe mais quando começar a comer nem quando suspender a refeição. Aí, a televisão mostra comidas maravilhosas, cheias de gordura e de açúcar, substâncias que aumentam muito a palatabilidade dos alimentos, e a criança passa as tardes mastigando bolachinhas, biscoitinhos, hambúrgueres, balas e chocolates.Há ainda fatores emocionais que não podem ser desprezados. Nasce um bebê na família; a criança, que ficava com a avó, vai para a escola ou muda de colégio. Ansiosa, começa a alimentar-se mais porque, como os adultos, não distinguem fome de ansiedade. Essa modificação dos hábitos alimentares faz com que o tecido adiposo, que deveria ser formado por volta dos sete anos, se desenvolva mais cedo. Isso se chama de rebound precoce da adiposidade.

Na infância, alguns fatores são determinantes para o estabelecimento da obesidade: desmame precoce e introdução de alimentos inadequados, emprego de fórmulas lácteas inadequadamente preparadas, distúrbios do comportamento alimentar e relação familiar conturbada (Fisberg, 1995).

Os períodos críticos de surgimento da obesidade progressiva são os 12 primeiros meses de vida, a fase pré-escolar e a puberdade. A obesidade progressiva se associa à obesidade hiperplásica, o que dificulta o controle de peso corporal na idade adulta (Guedes, 1998.).

Para o tratamento do obeso infantil, existem algumas normas gerais a serem seguidas: uma dieta balanceada que determine crescimento adequado e manutenção de peso; exercícios físicos controlados e apoio emocional individual e familiar. Além disso, a Educação Nutricional é essencial, pois visa a modificação e melhorias dos hábitos alimentares a longo prazo, e torna-se um elemento de conscientização e reformulação das distorções do comportamento alimentar, auxiliando a refletir sobre a saúde e qualidade de vida (Mantoanelli,et al,1997.)

5. CONCLUSÃO

A obesidade infantil vem aumentando de maneira desordenada e rápida nos últimos anos. Consideram-se como principais fatores o maior consumo de alimentos ricos em carboidratos e gorduras, e o sedentarismo. Hábitos alimentares irregulares e inadequados, perfil sócio econômico diferenciado, influência da mídia, todos esses fatores aliados, contribuem muito para o aumento do número de pessoas obesas. Somente uma sensibilização da sociedade seria capaz de reverter esse quadro. Uma alimentação mais equilibrada, uma prática de exercícios físicos regulares, a incrementação das aulas de educação física na escola (um possível aumento de carga horária para essa disciplina), um apoio e participação de toda a família, uma melhora na qualidade de vida, seria o ínicio para uma vida mais saudável e feliz. Prevenir futuros problemas prevenindo a obesidade é uma preocupação deste século. O que não se pode fazer é fecharmos os olhos e não nos preocuparmos com o amanhã. Levando em consideração que verduras, frutas e alimentos saudáveis em termos financeiros são mais baratos que muitos consumidos hoje em nossa sociedade, porque não adequamos nosso cardápio para uma alimentação mais sadia. É um fato comprovado que se não cuidarmos de nossa saúde e a de nossas crianças hoje, amanhã poderá ser tarde.


5. REFERÊNCIAS



VARRELA, Drauzio. Entrevistas: Obesidade Infantil.

VILARRES, Sandra. Entrevistas: Obesidade Infantil.

EDUCAÇÃO PUBLICA, Discutindo: Obesidade Infantil.

CONSENSO LATINO AMERICANO EM OBESIDADE, Obesidade Disponível em: < http://boasaude.uol.com.br/lib/showdoc.cfm?LibCatID=-1&Search=obesidade&LibDocID=3961
 Acesso em: 23/03/08.

PORTAL SAÚDE, Obesidade Infantil. Disponível em: < http://www.saudenainternet.com.br/portal_saude/obesidade-infantil.php  Acesso em: 23/03/08.
Doutor Nataniel Viuniski
Pediatra - Membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (ABESO) e autor do livro Obesidade Infantil – Um Guia Prático
http://www.abeso.org.br

Doutor Mauro Fisberg
Professor adjunto e chefe do Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente da UNIFESP / Diretor do Centro de Nutrição da Universidade São Marcos
http://sites.uol.com.br/fisberg

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