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domingo, 10 de abril de 2011

Papel Social da Familia e a Escola

A ESCOLA, A FAMÍLIA
E SEU PAPEL SOCIAL


Cleber de Souza




RESUMO


Vivemos em um mundo em que todos estão com pressa. Um mundo onde as pessoas trabalham, estudam, se divertem. Pode-se com certeza afirmar que ninguém consegue viver bem se não se viver em comunidade. O ser humano neste é considerado um ser social, e não fazer parte desse meio é como se considerar um peixe fora d’agua. Mas qual o papel da escola, da família quando o assunto se torna o papel social. Qual suas obrigações, seus deveres, até onde ela interfere na formação do ser cidadão, social e responsável por seus atos e atitudes. Se a obrigação da sociedade é dar suporte para que isso aconteça, onde entra a escola e qual as verdadeiras responsabilidades da família.


Palavras-chave: Escola; Família; Social.


1. INTRODUÇÃO


O ser humano é concebido e nasce num mundo social e não simplesmente natural, em que os objetos, as atividades, a explicação de fenômenos foram criados pelas gerações que o precederam. Desde a concepção e principalmente após o nascimento o ser humano interage com as pessoas de sua família que compartilham com ele seus modos de pensar, falar e fazer as coisas, integrando-o aos conhecimentos e habilidades de seu grupo social. A base biológica do homem, que lhe dá as possibilidades e os limites característicos da espécie humana, não é suficiente para torná-lo humano, ela precisa ser transformada e aprimorada pelas experiências sociais, entre as pessoas de seu meio, a escola, e o mundo.







2. O PAPEL DA ESCOLA

Sabe-se que há muitos anos a educação procura formas de melhorar a qualidade do ensino.Há muito tempo, tenta-se novas metodologias, novas formas de educar. Porque? Voltando um pouquinho no tempo, na história, tem-se o fato que antigamente a instituição maior e responsável total pela formação do ser humano era a escola. Desde cedo as crianças, principalmente do sexo masculino, saiam de casa ainda crianças para estudar em colégios internos. A escola neste formava o ser social, instruí-a a cultura, o conhecimento, o aprendizado. A preocupação das instituições de ensino daquela época era formar intelectos, o professor era um transmissor de saberes, oriundos das ciências biológicas, da física, história, literatura, filosofia, entre outros.

Com o passar do tempo, a escola teve que se atualizar e se adequar à necessidade de formar não mais somente alunos repetidores de informações, mas pensadores críticos, capazes de mudar a situação de vida em que se encontram, conquistar seu espaço profissional e sucesso financeiro. Para tal feito, muitas são as dificuldades das instituições, que esbarram desde a desvalorização do professor, a falta de preparo dos educadores, o próprio aspecto cultural e social em que vive as pessoas, a falta de estrutura e apoio das autoridades responsáveis, entre outros.

 “Os professores não são valorizados socialmente como merecem, não estão nos noticiários da Tv, vivem no anonimato da sala de aula, mas são os únicos que têm o poder de causar uma revolução social. Com uma das mãos eles escrevem na lousa, com a outra, movem o mundo, pois trabalham com a maior riqueza da sociedade: a juventude. Cada aluno é um diamante que bem lapidado, brilhará para sempre”. (CURY, 2006, p.91).

Segundo Cury, o sistema social existente nos dias atuais comete crimes imperdoáveis contra os jovens, criando uma violência psicológica e silenciosa onde esta, não destrói o corpo, mas esmaga o prazer de viver, a criatividade, a inteligência crítica e identidade das pessoas. A juventude bombardeada diariamente pelas propagandas para consumir produtos e não idéias, o veneno do consumismo, um sistema agressivo e controlador que sufoca o jovem e seus projetos de vida. É neste contexto que se encontra os nossos educandos, e essas são as dificuldades maiores de nosso sistema educativo atual. A escola tem um grande desafio e papel neste meio. Além da transmissão do saber, ela é responsável pela formação do futuro cidadão, pela interação social do indivíduo, tem como missão provocar a inteligência, formar pensadores. “Bons alunos são repetidores de informações, alunos fascinantes são pensadores”. (Cury, 2006, p.87).

Até o século XX, a formação do ser acontecia de acordo com a sociedade, a época, valores. Cada sociedade tinha um ideal de homem a ser formado. “(...) a meta era a formação do homem moralmente íntegro e do cristão temente a Deus; por ocasião da revolução comercial e, posteriormente, industrial, (...) propunha-se formar o burguês dotado de iniciativa e senso comercial. E assim foi ao longo dos séculos (...)” (HAYDT, 1997, p.25).

Já no final do século XX preocupava-se com que “ser” pretendia-se formar, pois a educação estava sendo reformulada e para tanto, precisava-se questionar, refletir, para que tudo não fosse em vão.
“(...) que ideal de homem nossa escola pretende formar? Esta é a questão fundamental, para a qual precisamos encontrar uma resposta, pois, de outra forma, será infrutífera toda reforma educacional. (...) o que está sendo questionado não é o como educar, mas o para que educar. Em outras palavras, o que está em jogo é o próprio sentido da educação”.( HAYDT, 1997, p.25).

“Bons professores ensinam seus alunos a explorar o mundo em que estão, do imenso espaço ao pequeno átomo. Professores fascinantes ensinam os alunos a explorar o mundo que são, o seu próprio ser”.(CURY, 2003, p.66).

3. O PAPEL DA FAMÍLIA

            O papel da família encontra apoio legal na Constituição Brasileira no seu artigo 227 e no Estatuto da Criança e do Adolescente que diz: “É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência familiar e comunitária”.

O papel da família é então fundamental, pois os processos de desenvolvimento da criança estão intimamente ligados aos modos como ela é criada e educada. As primeiras e mais significativas relações e aprendizagens da criança pequena, são realizadas com seus pais e as pessoas que cuidam dela no dia-a-dia. Essas atividades são significativas para a criança porque são as atividades do meio em que ela vive e feitas com as pessoas que ela gosta e que gostam dela.
No Brasil coexistem diferentes modos e oportunidades de criar e educar as crianças pequenas. Essas diferenças, infelizmente, se devem menos à nossa rica diversidade cultural do que à imensa diferença econômica entre as classes sociais. Assim, a diferença entre as crianças e famílias brasileiras fica calcada em um fator extremamente negativo: a enorme desigualdade social.
Dados mostram que a grande maioria das crianças até os seis anos convive o dia todo em casa. Tal realidade, certamente, não se deve a uma opção unilateral das famílias de criar os filhos em ambiente privado, por exemplo, mas à insuficiência de espaços coletivos para atendê-las, como creches e pré-escolas. Nestes casos, a família precisa, para cumprir seu papel em relação aos filhos, ter acesso a informações atualizadas sobre desenvolvimento infantil, incluindo os cuidados com saúde e alimentação, a imunização contra doenças, a prevenção de acidentes, a higiene da boca, do corpo e do ambiente; e, sem dúvida, as oportunidades educativas que promovem a aprendizagem e a formação de uma personalidade saudável pela criança relacionadas tanto ao tipo e à qualidade das interações interpessoais como às atividades mediadas pelo adulto e por outras crianças.
“O acesso à informação sobre o desenvolvimento e aprendizagem da criança pode representar um saudável confronto entre o saber técnico e os costumes, os valores, e a realidade das famílias o que contribui para enriquecer a percepção dos pais sobre seus filhos e ampliar a vivência da maternidade e da paternidade. Dessa forma, possibilita o estabelecimento de processos interativos e laços afetivos mais significativos, criando-se ambiente social de desenvolvimento tanto para os pais como para os filhos”.(FONTANA, 1997, p.61).

As informações fornecidas às famílias também devem contemplar os conhecimentos necessários para que elas reivindiquem e fiscalizem serviços de qualidade na comunidade serviços esses que devem formar uma rede de apoio nas áreas de saúde, educação e assistência social, visando a atender a demanda das famílias, de acordo com suas necessidades.

No caso dos serviços de saúde, por exemplo, que incluem os profissionais que primeiro atendem à família na atenção a suas crianças, é preciso dialogar sobre as necessidades e peculiaridades da criança, antes mesmo do nascimento. As instituições de Educação Infantil, além de prestar atendimento direto à criança, precisam ter ações coletivas e individuais, no sentido de apoiar mulheres e homens nos cuidados e educação de seus filhos. Para tanto, a escola precisa estabelecer com a família uma relação dialógica, de respeito mútuo, onde cada uma das partes traz seu conhecimento sobre o desenvolvimento infantil. A articulação da família com os serviços, também contribui para a criação de uma cultura de desenvolvimento infantil nas comunidades na qual está inserida.





4. CONCLUSÃO

Não se trata de apresentar um modelo para as famílias de como uma criança deve ser educada, mas sim de dialogar com elas, trazendo algum conhecimento técnico para que possa ser confrontado com o saber dos pais e das famílias. Cada família vive sua vida à sua maneira, vai criar seus filhos do seu jeito, mas todas as famílias têm o direito de ter acesso a conhecimentos que as apoiem para construir sua sabedoria. O conhecimento de certas atividades, certos tipos de interação que o estudo e a experiência mostraram ser favoráveis ao desenvolvimento das crianças pode ajudá-las nessa tarefa. A escola deve trabalhar os valores de cada aluno juntamente com a instrução do saber. A responsabilidade atual hoje de formar cidadãos, não é exclusiva do ambiente escolar, mas também esta calçada na estrutura familiar em que a criança está inserida. Um diálogo entre a escola e a família já é um grande começo para uma educação de qualidade.

5. REFERÊNCIAS


CURY, Augusto. Pais brilhantes Professores fascinantes. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.

HAYDT, Regina Célia Cazaux. Curso de Didática Geral. 3. ed. São Paulo: Ática, 1997.

CURY, Augusto. Filhos brilhantes Alunos fascinantes. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2006.

UNICEF – BRASIL. Situação da Infância Brasileira 2001. Brasília -DF, 2001.

FONTANA, R. & CRUZ, N. Psicologia e trabalho pedagógico. São Paulo, Atual, 1997.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Pau­lo, Martins Fontes, 1984.

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